Doenças coronárias

 Anatomia do coração

O coração tem quatro cavidades: duas pequenas superiores, ou aurículas, e duas grandes cavidades inferiores, ou ventrículos. (Ver imagem) Cada ventrículo possui uma válvula de entrada e outra de saída, pelo que o sangue só pode circular numa direcção. A válvula tricúspide abre-se da aurícula direita para o interior do ventrículo direito e a pulmonar do ventrículo direito para o interior das artérias pulmonares. A válvula mitral abre-se da aurícula esquerda para o interior do ventrículo esquerdo, enquanto a aórtica se abre a partir do ventrículo esquerdo para o interior da aorta.

O mau funcionamento das válvulas cardíacas pode manifestar-se de duas formas: deixarem escapar sangue por elas (regurgitação ou insuficiência valvular) ou não se abrirem adequadamente (estenose valvular). Cada perturbação pode alterar gravemente a capacidade de bombear do coração. Por vezes, uma mesma válvula pode ter ambos os problemas.


Algumas considerações:

  • É um órgão muscular oco.

  • O coração de um adulto é aproximadamente do tamanho de um punho fechado e pesa cerca de 400 gramas.

  • Situa-se no interior do tórax no mediastino, entre os dois pulmões e sob o osso esterno, ligeiramente deslocado para a esquerda;

  • A porção superior e plana do coração é a base e está localizada ao nível da 2ª costela;

  • A outra extremidade do coração é o ápice e está situado inferiormente ao nível da 5ª costela.


  1. Angina de peito

    O que é?

Angina ou “angina pectoris”, ou ainda angina de peito, é uma dor ou desconforto localizada tipicamente no centro do peito. As pessoas descrevem-na como um peso, um aperto, um desconforto ou ainda como uma pressão geralmente localizada atrás do osso esterno. Algumas vezes a dor pode se estender para os braços (mais frequente o esquerdo), pescoço, queixo ou raramente nas costas.

  1. Por que ocorre?

A dor aparece quando o suprimento de sangue para uma parte do coração é insuficiente em relação ás suas necessidades. Nesta situação o coração não recebe a quantidade de oxigénio e nutrientes necessários para funcionar, o que se traduz em isquemia (dor).

  1. Em que situações pode ocorrer?

Ocorre mais frequentemente durante o exercício ou ‘stress’ emocional, pois nestas situações a frequência cardíaca (número de batimentos do coração) e a pressão arterial aumentam e consequentemente o coração necessita de mais oxigénio para que o músculo cardíaco funcione.

O fornecimento de sangue para o músculo cardíaco é feito pelas artérias coronárias. Modificações nesse fornecimento geralmente causadas por algum grau de entupimento (arteriosclerose)  nas artérias coronárias podem lhe causar este problema.

Enfarte do miocárdio

O que é?

É provocado por uma diminuição mais prolongada do suprimento de sangue para o músculo cardíaco. Contudo, enquanto que na angina este suprimento é reduzido temporariamente, levando a dor no peito, no enfarte ocorre uma interrupção total e abrupta do fluxo de sangue para o músculo cardíaco, secundária ao entupimento total de uma artéria coronária. Nesta situação, a dor é mais intensa e dura mais tempo.

Como regra geral, a angina não causa danos permanentes ao músculo cardíaco, no enfarte já há morte de células do miocárdio.

Como é feito o diagnóstico?

Os médicos podem chegar ao diagnóstico de angina pela descrição dos sintomas sentidos, tendo a sua confirmação através de alguns exames. Algumas vezes, apesar do diagnóstico de angina, o electrocardiograma em repouso é normal, por isto o seu médico pode solicitar um teste de esforço (ver figura) para confirmação do diagnóstico. Neste teste é feito exercício em bicicleta ou tapete rolante para aumentar as necessidades de sangue e oxigénio do músculo cardíaco. O seu médico ainda poderá solicitar exames como uma cintilografia miocárdica, utilizando um radioisotopo que vai perfundir o coração. Se for necessário o conhecimento da anatomia de suas coronárias, seu médico pedirá um cateterismo cardíaco (coronariografia) . A escolha dos exames depende de alguns factores, como gravidade dos sintomas e dos exames prévios, idade e patologias associadas.

  1. Como é feito o tratamento?

Existem três formas de tratamento: o tratamento médico (fármacos anti-isquémicos), a angioplastia coronária e a cirurgia de revascularização miocárdica.

O tratamento médico consiste no uso de certos fármacos com acção vasodilatadora nas coronárias e outras vasos e sobre a frequência cardíaca, que reduzem o grau de isquemia miocárdica, como os nitratos, os bloqueadores dos canais de cálcio e sobretudo os beta-bloqueadores. O nitrato sublingual é o que age mais rápido (em dez minutos a dor deve desaparecer). Caso isto não aconteça, procure o mais breve possível um serviço de emergência.

Se as crises de angina persistirem, apesar da medicação, ou se as obstruções nas artérias coronárias forem muito graves, poderão ser indicadas a angioplastia coronária ou a cirurgia de revascularização miocárdica.

Na cirurgia de revascularização miocárdica, uma veia é retirada da perna que é colocada sobre a artéria entupida, ultrapassando o local do bloqueio. Um tipo de ponte especial poderá ser feita utilizando-se uma artéria chamada mamária interna (actualmente este é o método de eleição na cirurgia de revascularização).(ver texto abaixo).

Nestes pacientes alguns hábitos devem ser modificados: ele deverá abandonar o tabaco, controlar a sua dieta (colesterol e peso) e, ainda controlar a hipertensão arterial. O exercício físico regular será também fundamental para evitar o aparecimento de doença coronária.,e ainda realizar consultas e exames periódicos.

Revascularização Miocárdica

     A doença da artéria coronária é das maiores causas de morte no mundo. As medidas preventivas não conseguiram ainda erradicá-la, uma vez que há apenas 40 ou 50 anos vem sendo compreendido o papel de factores como a ingestão de alimentos ricos em gordura e colesterol no desencadeamento da doença. A cirurgia de revascularização do miocárdio é, por isso, um recurso terapêutico importante a ser utilizado quando necessário.

     O coração é um músculo que se contrai sob condições adequadas, tal como os músculos do braço ou da perna. As células que formam o coração, os miócitos, ao se contraírem forçam o sangue a percorrer todo o corpo através de uma espécie de “árvore circulatória” ou rede de vasos sanguíneos.

     Para esta tarefa, o coração requer grande quantidade de energia e nutrientes, que é suprida por vasos sanguíneos próprios, as artérias coronárias.


     Na doença da artéria coronária a luz destes vasos encontra-se obstruída por placas de material carreado pelo sangue, denominando-se este processo arteriosclerose. A obstrução das artérias resulta em insuficiência de nutrientes e oxigénio, o que provoca sintomas como dores no peito e baixa resistência ao esforço físico. Se a obstrução é total, o músculo cardíaco pode sofrer um dano irreversível, e este é o chamado ataque cardíaco ou infarto do miocárdio.

     Alguns pacientes podem se beneficiar do tratamento cirúrgico para prevenir ataques cardíacos ou para corrigir a insuficiência na quantidade de sangue nutrindo o músculo cardíaco.

Contexto Histórico:

     A reconstrução cirúrgica de artérias obstruídas iniciou-se por volta de 1960. A finalidade da operação de resvascularização do miocárdio é restaurar o suprimento de sangue ao músculo cardíaco, criando uma nova rota que contorna a área bloqueada da artéria coronária doente.

     Desde o início do século XX técnicas de sutura de pequenos vasos vêm sendo desenvolvidas, ao lado de métodos e diagnósticos de manuseio da coagulação sanguínea. Também foram criados artefatos que permitem manter a circulação sanguínea pelo corpo enquanto o coração encontra-se temporariamente parado para a intervenção cirúrgica, a máquina de circulação extra corpórea.     Além disso, o aperfeiçoamento das técnicas anestésicas que permitiu a respiração controlada do paciente com o tórax aberto, foi fundamental para o aprimoramento da cirurgia cardíaca até o ponto actualmente alcançado.

Em 1966, em Leningrado (actual São Petersburgo), na União Soviética, o Dr. Kolessov reportou o uso de artéria mamária interna para criar um desvio (“bypass”) para a artéria coronária em 6 pacientes, dos quais 5 sobreviveram. Em 1967, o médico argentino Renée Favalaro, publicou os resultados iniciais de uma pequena série de pacientes que receberam enxertos coronarianos de veia safena. A partir destes importantes marcos, muitos investigadores começaram a expandir o conceito de reconstrução do suprimento de sangue ao coração com enxertos de vias alternativas ao percurso coronariano. A reconstrução cirúrgica do suprimento sanguíneo foi a partir de então rapidamente reconhecida como altamente efectiva em várias doenças, como a angina, e actualmente permanece como principal recurso terapêutico para grande grupo de pacientes.

Como funciona

     A cirurgia de revascularização do miocárdio cria um novo percurso para o fluxo sanguíneo. Frequentemente o bloqueio da artéria ocorre nos primeiros dois centímetros dos ramos maiores que suprem o coração. Os menores ramos usualmente não estão comprometidos até uma idade mais avançada. Assim, torna-se possível introduzir uma fonte nova de sangue na artéria logo adiante do bloqueio. O fluxo sangüíneo vai percorrer um caminho alternativo até atingir o tecido muscular cardíaco ali onde é requerido. Uma vez que o volume e a pressão do sangue são restaurados pelo procedimento cirúrgico, aliviam-se os sintomas decorrentes da má nutrição e hipóxia (falta de oxigénio) do músculo cardíaco.

     A veia safena é o mais comum material utilizado para a construção desse novo percurso. Também se usa a artéria mamária interna esquerda, que é até mais resistente à deposição aterosclerótica que as próprias coronárias. Ambos os enxertos cumprem a função de fornecer ao músculo o suprimento de sangue necessário à função contrátil.

Aspectos técnicos

     É difícil, embora não impossível, costurarem-se finas artérias e veias umas nas outras com o coração batendo. A introdução de dispositivos de circulação extra-corpórea – máquina coração–pulmão – permitiu aos cirurgiões suspender temporariamente os movimentos cardíacos enquanto essas delicadas ligações são executadas.

     Durante a operação as funções de órgãos como cérebro, rins e fígado são plenamente mantidas por esta circulação artificial. Após completar o enxerto, as contracções cardíacas são restauradas e as tarefas da circulação são devolvidas ao coração e aos pulmões. A bomba extra-corpórea é removida do sistema vascular do paciente, a anti-coagulação é revertida e a cirurgia está terminada.

     Uma típica cirurgia de revascularização do miocárdio começa com uma incisão vertical no peito. O osso frontal do tórax (esterno) é cortado com uma serra especialmente desenhada para tal, e é separado com um artefacto apropriado. Com a abertura do esterno e o afastamento dos tecidos moles permite-se o acesso à membrana que envolve o coração, o pericárdio, que recebe uma incisão. Em seguida o cirurgião remove a artéria mamária interna da parede do tórax, de modo a obter uma artéria doadora para o enxerto.

     Simultaneamente, um cirurgião assistente provê um vaso doador adicional, normalmente a grande veia safena, a partir da coxa ou da panturrilha. Como a perna contém muitas veias redundantes, a circulação de retorno não será comprometida.


     Após a colecta dos vasos doadores, o sangue do paciente recebe substâncias para que não venha a coagular em contacto com o equipamento de circulação extra-corpórea. São feitas as conexões desse equipamento com a circulação do paciente, que tem então a temperatura corporal reduzida por meio da refrigeração do sangue que circula pela máquina. Além disso, os fluxos sanguíneos do coração e do resto do corpo são separados por meio de um grampo vascular (“clamp”) aplicado à aorta logo abaixo da inserção da cânula de retorno arterial. As artérias coronárias são então perfundidas com uma solução de potássio a baixa temperatura. Imediatamente o coração pára, resfria e relaxa–se. O corpo é preservado pelo fluxo de nutrientes advindo do circuito coração-pulmão, enquanto o coração é preservado pela baixa temperatura e por outras condições manejadas pela equipe cirúrgica.

     Em seguida, cada vaso-alvo é identificado e para cada enxerto a coronária-alvo recebe uma pequena incisão feita com um fino bisturi. A incisão é expandida com tesouras especiais. Um vaso doador – veia ou artérias – é anexado a esta incisão com delicados fios de sutura, em geral feitos de polipropileno, mais finos que um fio de cabelo. Depois que todos os enxertos já estão ligados às artérias do coração, o “clamp” vascular é liberado, restabelecendo o fluxo de sangue para as artérias cardíacas.


     Quando o coração afinal se recupera de seu repouso temporário a circulação extra-corpéra pode ser gradualmente retirada.

     Só após estar o coração batendo perfeita e vigorosamente o equipamento é removido. O anticoagulante é revertido quimicamente e o cirurgião inspecciona, controla sangramentos restantes, e fecha as incisões. Por fim o paciente é enviado à unidade de cuidados intensivos para recuperação.

     Pacientes que não apresentam problemas maiores no pós-operatório podem sair do hospital em cerca de 6 dias depois da cirurgia. Após 2 ou 3 semanas a maioria dos pacientes recupera seu vigor físico e suas rotinas corporais, o apetite, sono e funcionamento intestinal. Pacientes cuja actividade profissional não exige esforços físicos podem retomá-la em 4 a 6 semanas ou até antes, dependendo de seu nível de energia. Normalmente não serão mais necessários medicamentos antianginosos. Mas medicamentos para controle de pressão arterial e do diabetes continuam sendo necessários. Após a completa recuperação da cirurgia, a vasta maioria de pacientes pode retomar suas actividades de vida diária, inclusive exercícios, viagens e trabalho.

 CATETERISMO CARDÍACO

É um exame cardiológico invasivo feito para diagnosticar ou corrigir problemas cardiovasculares, como por exemplo, a visualização de um estreitamento, geralmente formado por uma placa de gordura, na artéria coronária.


Fig 1.
 Lateral de uma artéria coronária com diferentes graus de obstrução, desde um estreitamento localizado (espasmo) até à oclusão total e por consequência o desenvolvimento do infarto do miocárdio
 
  1. Como é realizado:

  • O médico faz um corte de 2 a 3 centímetros de largura próximo a prega do cotovelo, no braço direito ou esquerdo, e selecciona um vaso sanguíneo (veia ou artéria). Também pode ser feito pela virilha.
  • Por esse corte é introduzido o catéter (sonda de 2,7 milímetros de diâmetro e um metro de comprimento), que percorre o vaso até chegar ao coração.
  • Pelo catéter é injectado um líquido de contraste radiológico, a base de iodo, que permite visualizar, por meio de um aparelho de raio-X, os vasos e cavidades do coração.

As imagens internas do coração e/ou vasos são registradas com tecnologia digital (vídeo digital e/ou câmara multiformatos lazer que auxiliam na análise posterior do exame.

  1. Equipa durante intervenção:

O cateterismo é realizado por uma equipe composta por técnico de raios X, enfermeira(o) especialmente treinada(o) e dois cardiologistas com experiência em procedimentos de cardiologia intervencionista.

Dura entre 30 e 60 minutos, em média, conforme o procedimento realizado.

Feito na sala de cateterismo, com o paciente acordado (anestesia local), deitado sob um aparelho de raio-X. Em criança é usado anestesia geral para evitar agitação.

  1. Como se preparar:

  • Fazer jejum de quatro horas antes do exame.
  • Em geral, não é necessário suspender os medicamentos em uso.
  • Procurar repousar antes do exame.
  1. Recuperação:

Alta hospitalar que varia de 30 minutos a 24 horas, dependendo do procedimento

  • Não dobrar o braço (ou a perna) durante seis horas.
  • Ingerir líquidos em maior quantidade.
  • Retirar o primeiro penso depois de 12 a 24 horas.
  1. É indicado para:

  • Mostrar obstruções das artérias que irrigam a musculatura do coração (coronárias);
  • Quantificar alterações do funcionamento das válvulas e do músculo cardíacos;
  • Esclarecer alterações anatómicas não confirmadas por outros exames;
  • Mostrar em detalhes uma malformação congénita;
  • Desobstruir artérias e válvulas.
  1. Variações terapêuticas:

?Angioplastia (ver texto a seguir):

Desobstrução de artéria coronária ou ponte de safena que esteja comprometida por uma placa de gordura ou um coágulo. É feita usando-se um balão que, posicionado e inflado no ponto de estrangulamento, restitui a circulação no vaso.

Stent coronário:

Fixação de uma tela de aço inoxidável na parede interna do vaso desobstruído durante a angioplastia, para impedir novo estrangulamento.

Valvoplastia:

Desobstrução de válvulas cardíacas (pulmonar e mitral) por meio de um ou mais balões infláveis, normalizando a livre circulação do sangue.

ANGIOPLASTIA CORONÁRIA:

Está indicada quando uma ou mais artérias estão bloqueadas pelo estreitamento localizado, resultante do acúmulo de colesterol (a chamada placa aterosclerótica) diluindo assim o fluxo de sangue e oxigénio para o músculo cardíaco.
Quando essa obstrução é parcial o doente desenvolve o que se chama de ANGINA de diversas características, por outro lado quando a obstrução é completa e não existe o que se chama de circulação colateral o doente desenvolve um quadro de Enfarte agudo do miocárdio.

A angioplastia coronária está indicada em ambas as situações. A angioplastia coronária é realizada sob anestesia local, no laboratório de hemodinâmica, de maneira semelhante a que já foi descrito para o cateterismo cardíaco realizado pela via femural.

A angioplastia coronária é realizada com o auxílio de um delicado e sofisticado catéter-balão, disponíveis em diversos diâmetros e comprimentos, na dependência do tamanho e extensão da placa aterosclerótica, que é posicionado no local da lesão obstrutiva. A seguir este balão é expandido (insuflado) sob pressão (que também é variável, dependendo das características da placa) “esmagando” assim a placa contra as paredes do vaso, desobstruindo a artéria e permitindo que o fluxo sanguíneo retorne ao normal.

Trata-se de um tratamento extremamente seguro e eficiente, onde as complicações graves ocorrem na ordem de 2 a 3%.

Entretanto se essas complicações ocorrerem, há que se estar preparado para resolve-las. Em função desta percentagem pequena de complicações é que a angioplastia coronárias. Num local munido de uma equipa cirúrgica é possível em um curto espaço de tempo ( aproximadamente 15 minutos) se iniciar e realizar uma cirurgia de revascularização miocárdica com a realização de pontes de safena e/ ou mamária.

Em um número ainda significativo de casos (cerca de 30 %) pode ocorrer o que se chama de REESTENOSE, ou seja a obstrução retorna na mesma localização anterior, geralmente no período entre 3 e 6 meses após a realização da angioplastia, e que poderá ser tratada com nova angioplastia “convencional” ou ainda com nova angioplastia com implante de uma prótese endovascular “STENT”.

Complicações da cirurgia cardíaca(Pryor,1998):

Infarto do miocárdio perioperativo: pode ter efeitos adversos maiores no prognóstico precoce e tardio;

Sangramento: 2-5% dos pacientes com CABG são reoperados para controle de sangramento. O tamponamento cardíaco ocorre devido a hemorragia dentrodo pericárdio, causando pressão no coração e impedindo-o de encher-se durante a diástole. Pode ocorrer uma paragem cardíaca se o coração não for reaberto para remover os coágulos e parar o sangramento.

Hipertensão: é um problema de aproximadamente um terço dos paciente. O mecanismo real por esse aumento na pressão sanguínea é actualmente desconhecido.

Baixo débito cardíaco: ocorre secundário á hipovolémia ou insuficiência.

Fibrilação atrial apresenta-se em aproximadamente 40% dos pacientes com 2-3 dias de cirurgia.

Colapso do lobo inferior: particularmente do pulmão esquerdo, está presente na maioria dos pacientes, devido a uma compressão dia do lobo inferior durante a cirurgia e/ou dano do nervo frénico através de trauma ou lesão secundária á cardioplegia.

Volumes pulmonares reduzidos: pensa-se serem atribuíveis a alterações nos mecanismos da caixa torácica.

Infecção pulmonar;

Edema pulmonar/derrames pleurais podem ocorrer secundários á excessiva reposição hidríca para corrigir os estados de baixo volume.

Pneumotórax/hemotórax é com frequência, uma consequência da abertura da parede torácica.

Deterioração da perfusão renal: ocorre devido ao baixo débito cardíaco ou vasoconstrição secundária ao suporte inotrópico que pode requerer uma terapia de substi

tuição renal temporária.

Complicações da ferida cirúrgica: tais como mediastinites e/ou deiscência da ferida, afectam 1% dos pacientes.

Confusão Intelectual: nos períodos iniciais pós-operatórios ocorre em 75% dos pacientes mas os maiores problemas a longo prazo são incomuns. Acredita-se ser secundária à deterioriação da perfusõ cerebral durante a derivação cardiopulmonar.

Derrame: ocorre em 1-5% dos pacientes e está relacionado à idade.

Estenose da válvula aórtica:

É a lesão cardíaca mais frequente actualmente. Entre as causas está a febre reumática, calcificações em válvulas bicúspides congénitas ou depósitos de cálcio em válvulas de idosos e previamente normais. Ocorre predominantemente (80%) em homens.

A área total da válvula aórtica é de 3 a 4 cm2. quando a lesão apresenta uma menor área do que 0,8 a 1,0 cm2, altera-se severamente a função cardíaca e o prognóstico sem correcção é mau, com cerca de 50% de mortalidade em 3 anos.

O tratamento pode ser cirúrgico, uma troca de válvula tem uma mortalidade de 2 a 5% e chega a ficar acima de 10% para pessoas com mais de 75%. Um tratamento alternativo é a vavuloplastia percutânea por balões, que pode aliviar os sintomas; contudo as recidivas aparecem em pouco tempo, principalmente nos idoso com calcificações. Só tem indicação para pessoas mais jovens e para os quais existirem outras razões para não serem submetidas a uma troca de válvula.

  1. Bibliografia:
  2. Sarmento,G.J.V. (2005).Fisioterapia respiratória no paciente crítico. Rotinas diárias. Manole
  3. [http://www.abcdasaude.com.br/artigo.] consultado em 24/03/2015 às 15:00
  4. [http://www.incl.rj.saude.gov.br/incl/paginas/revas.asp.] consultado em 24/03/2015 às 15:09
  5. HATCHETT, Richard; THOMPSON, David R. (2006) Enfermagem cardíaca: um guia polivalente. Loures: Lusociência
  6. Pryor,B.A(s/d).Fisioterapia para problemas respiratórios e cardícos. GuanabaraKoogan
  7. [http://images.google.pt.] consultado em 26/03/2015 às 12:00
  8. [http://www.santalucia.com.br/hemodinamica/angioplastia.htm.] consultado em 26/03/2015 às 17:00

Colangiopancreatografia retrógada endoscópica (CPRE)

CPREA colangiopancreatografia retrógada endoscópica, permite o diagnóstico e tratamento de parte do sistema digestivo (vesícula biliar, pâncreas e fígado). Consiste na introdução de um produto de contraste através da papila de Vater via endoscópica. O principal risco associado é o desenvolvimento de pancreatite ( 3 a 7%).

Técnica

O médico passa com um endoscópio sucessivamente através da boca, esófago, estômago e duoderno ( 1ª parte do instestino delgado). O principal objetivo passa pela injecção de um material de contraste para dentro dos ductos biliar e pancreático, e posteriormente realizar um exame de RX.

Cuidados

  • Promover jejum de 6 horas antes da intervenção;
  • Verifcar possíveis alergias;
  • Verificar antecedentes pessoais;
  • Vigiar a recuperação anestésica e sinais vitais;
  • Vigiar desconforto abdominal (pela introdução de gás);
  • Vigiar dor abdominal, náuseas e vómitos (possível na pancreatite).

Complicações

  • Pancreatite (inflamação ou infecção);
  • Perfuração instestinal e hemorragia;
  • Infecções.

Objectivos do Exame

Realizar o diagnóstico ou desobstrução de orgãos e canais. Diagnóstico por câmera de vídeo, exérese de pequenos fragmentos para análise (biópsia), verificar a dimensão da estenose/ obstruções.

Referências

http://pt.wikipedia.org/wiki/CPRE

http://www.endoscopiahcfmusp.com.br/dircondutas/Entendendo%20a%20CPRE.pdf

Phipps et al. (2010). Enfermagem médico-cirúrgica. vol III, 3ª ed., Lusodidacta. Pp. 1213
 

Apósitos para tratamento de feridas

Quadro exemplificativo de vários tipos de apósitos existentes no mercado:

Características   Tipo de penso Produto sugerido Imagens (exemplo)
Absorção de Exudado  Pensos de amido de Copolímero  Penso de AbsorçãoDuoderm, grânulos
Alginato de Cálcio (absorve o exedado e liberta cálcio a nível celular – estimula angiogénese)  KaltostatSorbsan

Algosteril

Desbridamento Enzimático  AccuzymeHidrogel

Panafil

Biozyme C

Curatec

Pensos húmidos-a-secos Gaze 100% algodão
Protecção da ferida, isolamento, e absorção suave Hidrocolóides (pensos adesivos de pectina gelatinosa que proporcionam o ambiente ideal para a ferida) DuoDERMRestore

Tegasorb

Ultec

Pensos transparentes (adesivos, pouco espessos, que apoiam o microambiente com vista à regeneração celular) TegadermBioclusive

Opsite

Blister Film

Polyskin

Pensos de espuma de  poliuretano (não adesivos, alguns ajudam a controlar o odor) AllevynLyofoam

PolyMem

CarraSmart

Pensos de hidrogel (gel em bisnaga ou pelicula não aderente, têm efeito suavizante tópico; espessura variada) Elasto-GelVigilon

Nu-Gel

Treponema Pallidum (sífilis)

A sífilis é dividida em 2 tipos: adquirida e congénita. Também tem 3 fases de evolução da doença: a primária, secundária e terciária(tardia).

Sífilis adquirida

Primária: Após 3 semanas de incubação, desenvolvem-se as lesões primárias (altamente infecciosas), local de contacto e de transmissão. Cura passadas 3 a 6 semanas.

Secundária: desenvolvem-se passado 6-8 semanas do contágio. Fase dura 6-8 semanas. Lesões: pele e mucosas (condiloma/verrugas e machas). Elevada bacterémia com doenças sistémicas.

Sífilis latente: intermédia à secundária e terciária. 1/3 doentes avançam para a 3ª fase e 25% para a 2ªfase. Assintomática, com testes serológicos positivos.

Terciária: progressiva e destrutiva (cardiosífilis, neurosífilis),  rara, não contagiosa.

Sifílis Congénita:

Passada da mãe para o útero, comum no 2º a 3º semestre. Desde o nascimento até aos 2 anos. Complicaçõeslesões na pele, hepáticas, e linfáticas; infecções ósseas. Morte: com hemorragias pulmonares, infecções oportunistas, hepatites. Diagnóstico com contraste para detectar T. pallidum, com flurescência, NÃO TREPONÉMICOS: teste VDRL (mede anticorpos) e teste RPR (rapid plama reagin), (teste sorológico); terapia antimicrobiana e TREPONÉMICOS: preciso depois das 3 a 4 semanas com o teste FTA-ABS.

Tratamento: 

  • penicilina-benzatina (aldulto e crianças)
  • doxicilina  e tretaciclina (alérgica)

 

Helicobacter pylori

É uma bactéria que curvada e espiralizadas com mobilidade rápida. Microaerófila produtora de urease, colinizam no estômago ao nível das cél. mucosa gástricas. Resistentes aos ácidos (HCL) e mucos. Causam gastrites agudas, úlceras duodenais e gástricas, com infecções com tendência a crónica. Aumentam o risco de carcinoma e linfoma gástrico cel. B. A transmissão é feita entre o homem.
Tratamento
É realizado antibioterapia, com metronidazol e tretaciclinas, com inbidores das bombas protónicas (>ph).

Vídeo exemplificativo das consequência do microorganismo:

Esquema de atuação da bactéria:

bibliografia:
[http://pt.wikipedia.org/wiki/Helicobacter_pylori] consultado em 24-06-2012
[http://pt.wikipedia.org/wiki/Inibidor_da_bomba_de_prot%C3%B5es] consultado em 24-06-2012
[http://pt.wikipedia.org/wiki/Helicobacter_pylori] consultado em 24-06-2012

Norovírus (Vírus Norwalk)

Geneticamente diversificado, com apenas de uma cadeia de RNA. É responsável pelas epidemias de gastroenterites víricas em adultos (escolas, bases militares, prisões). A transmissão por ingestão de alimentos ou água contaminada, com um incubação de 24-48 horas, com sintomas fortes mas curtos de 1-2 dias. Sinomatologia de naúseas, vómitos, diarreia. Há probabilidade de contato por 3-8 dias.
Responsável por 90% das contaminações de gastroenterites em todo o mundo.
O diagnóstico é realizado por PCR (cadeia de reacção de Polimerase), análise sensitiva com apenas 10 partículas de vírus.

 bibliografia:
[ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/hidrica/doc/IF10_Norovirus.pdf] consultado em 24/06/2012 às 15:09

Rotavírus

É um vírus de RNA, da família Reoviridae. As principais manisfetações são diarreias em crianças (menores de 2 anos), grávidas, doença sazonal com manifestações principalmente durante os meses frios. As crianças estão protegidas via IgA nos primeiros 6 meses de vida. Existem também surtos nas enfermarias ou infantários, com pequenas doses de infecção. As precauções a ter é a  lavagem apropriada das mãos.

Este vírus é responsável pela gastroentrite aguda.